A lenda da filha de madeira.
A cidade de Belém estava calma, era antigamente na Cidade Velha, na noite de uma sexta-feira da paixão. Uma pequena queria sair para paquerar com um flerte. Enfeitou-se com a roupa de domingo. Sua mãe era contrária a idéia. Devia respeitar-se o dia que Cristo foi crucificado.
Uma raiva súbita tomou conta da pequena, que berrava exasperada:
- Bobagens do seu tempo mamãe, a senhora não entende a modernidade. Que mal há!? Essas crendices são estúpidas. Merda! Pouco me importa, vou sair e ponto.Vá dormir e não se preocupe comigo. Antes do amanhecer estarei de volta.
-Não, minha filha, de casa tu não sais. Enquanto eu viver tu vais me respeitar! Ora vê se pode! Sua malcriada, malovida, ingrata, tens que me obedecer, dei a minha vida pra te criar. Absurdo, é tu não respeitares o sofrimento do nosso senhor Jesus! Deus, perdoe essa ovelha desgarrada.
Elas começaram a brigar:
- Vou, pouco me importa o que a senhora fez pra me criar ou o sofrimento do senhor !
- Não vais! Bate na tua boca!!
- Se a senhora não deixar!! Vou na força!
- Tu estás ficando biruta ?! Égua, isso só pode ser coisa de satã. “Descunjuro”! Cristo ajuda essa alma.
- A senhora quer ver?!
- Daqui só sairás se passares por cima do meu cadáver !
- A senhora quer apanhar?
- Tu não terias coragem de bater na tua mãe! Pelo amor de Deus...
Mas ela teve coragem: pegou uma vassoura, se armou para dar uma paulada na mãe. Quando ela foi executar o derradeiro golpe, deu um berro que pôde ser escutado por toda a vizinhança. Seus braços se paralisaram.
Gritava, praguejava porém seus braços secavam. Era uma cena bizarra. A pobre mãe desesperada socorria a filha . Rezava, gritava pedindo ajuda e a vizinhança a acudiu. Era apavorador, não só os braços, mas o corpo inteiro estava virando madeira. O pavor tomava conta, as pessoas corriam.
O mais idoso da vizinhança, lembrou-se do dia santo. O velho sábio sugeriu que fossem a Igreja de Santo Alexandre, pra receber a bênção do padre. Isto é castigo de Deus.Levaram a moça, porém, secava cada vez mais. A deixaram esperando o perdão que jamais viria.
A filha que tentou bater na mãe, se transformou em uma estátua de madeira . Diz a lenda que até hoje é possível ver a moça pelas frestas da Igreja de Santo Alexandre.
Escrito por Maurício às 04h05
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Em busca de vingança
Em Belém do Pará, havia um jovem muito sonhador. Ele queria viver muitas aventuras e descobrir a verdade sobre a vida.
Tudo começa quando um estranho homem, vestindo um sobretudo preto, diz que ele vai ter que lutar contra as “trevas”. O macabro homem desaparece em meio às mangueiras, árvore muito comum em Belém.
O jovem garoto fica muito excitado, com o que o homem lhe disse. Volta pra sua casa muito feliz, porém ao chegar, depara-se com a sua casa totalmente destruída, e seus familiares mortos. Ao ver polícia e os jornalistas na frente de casa, ele corre, sem fazer um pergunta, pois já sabia o que houve, foram “eles”. O desespero toma conta do garoto, e ele jura, vingar-se dos malditos “demônios” que destruíram tudo que ele mais amava.
Na manhã seguinte, depois de passar a noite vagando pela rua. Parte em uma jornada para o inferno, para se vingar do Diabo e os seus servos. Determinado, ele vai até a Basílica de Nazaré perguntar ao padre como se faz pra chegar ao inferno.
Ao chegar, contou sua história ao padre, que era um senhor muito sábio, e perguntou ao menino por que ele queria ir ao inferno. O padre mostrou o seu sobretudo preto que vestia quando alertou o garoto, e mostrou uma manchete de jornal que dizia: “Bandidos destroem casa e matam uma família na vila Mariana, apenas o caçula sobreviveu, mas ninguém sabe o seu paradeiro”.
Chocado e mais revoltado ainda, menino agride o padre e sai correndo gritando: “O inferno é aqui, o inferno é aqui!” . Na manhã seguinte o garoto se joga do prédio mais alto de Belém.
Maurício Neves Corrêa
05/2002
Escrito por Maurício às 02h56
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Talvez amor!
Veio distraída me pegar no meio da pista
Me pedindo pra interagir
E gostou do estilo
Deu-me o pescoço
Como um vampiro
quase mordi
Deslizei no rosto
fui até a boca
apertei o corpo todo
atracados a dançar
passaram semanas com telefonemas
bares, teatro, cinema
Beijos sem fim
Chegou num momento perto de amanhecer
E eu perguntei todo correto
E ela disse sim
Fizemos umas fotos
Assumimos compromisso
Aquecemos no frio
Dividimos o lençol
Ela se escreveu no meu sorriso
Traduz o brilho nos meus olhos
Deixamos escapar aquela palavra
Que começa com “a”
Sim amor!
Contamos segredos
Entranhamos nosso cheiro
Com o gosto. Com o calor
Sonho! sentindo o beliscão
Dos lábios me fisgar
sobre o teu corpo
me transbordo de paixão
nossas vidas agora grudadas
com o sentimento que sobrepõe
os traumas
O nosso romance
O nosso cantinho
A nossa trilha
E como é bom dizer
A gente...
Maurício Neves Corrêa
Escrito por Maurício às 02h32
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Tristes itinerários
A evasão escolar é uma triste realidade em Belém, basta pegar um ônibus e cruzar as principais ruas da cidade, que se observa outro grave problema, o trabalho infantil. As duas coisas se relacionam diretamente, já que crianças e adolescentes estão trabalhando, enquanto deveriam estar na escola.
Esta situação é cruel e demonstra toda a fragilidade e desigualdade da nossa sociedade. Não conseguimos dar educação e dignidade a grande parte dos nossos jovens. O resultado é um país dividido que possui graves problemas sociais.
Mas voltando ao ônibus em Belém...
Estava indo para a universidade, era o começo do fim da tarde e o coletivo que peguei não estava lotado. Vi um menino que devia ter uns 10 anos jogar um bombom para o motorista e subir pela porta de trás. Distribuiu os bombons entre os passageiros e gritou uma coisa mais ou menos assim: “Eu podia estar matando, eu podia estar roubando, eu estou trabalhando, é três por um real.”
Aquela criança usava errado os verbos e os gerúndios. O certo seria ele dizer que devia estar estudando, brincando... Nunca trabalhando. E por que não, meio Russo, gritar “que país é esse?”. Mas isso não aconteceu, ele recolheu de mão em mão, vendeu alguns bombons e se foi. Essa já é uma cena tão comum que a maioria das pessoas nem se importa. Isso é certo? E muitas vezes as pessoas se importam, se conformam em comprar o bombom para ajudar. Isso é ajuda?
A cada parada, o ônibus se enchia, ficou lotado, quente, o trânsito engarrafado . No meio daquele sufoco, vi pela janela um colégio de elite. Aquilo é o desejável para juventude, uma escola estruturada, com ótimos professores. Só há um problema, a mensalidade custa quase dois salários mínimos.Uma parcela considerável das famílias de Belém, vive com menos que isso, sem falar nas crianças que vivem nas ruas.
O lotação ia naquele passo quase parando.Num sinal mais à frente, novamente toda crueldade. Crianças faziam malabarismo em frente aos carros, e outras vendiam chocolates. Era como o Brejo da Cruz da canção do Chico. Quando o sinal abriu, passaram de carro em carro falando: “brigado ai tia, brigado ai tio...” Estariam eles agradecendo os centavos ou a omissão?
De noite, já no retorno e em outro ônibus, vi por outra janela , outra barbaridade. Um grupo de meninas na BR 316, muitas delas não deviam ter mais que quinze anos, naquela noite, provavelmente elas venderiam o próprio corpo.
Já caminhando rumo a minha casa, outra cena corrosiva. Uma criança com cheiro de tínner se debruçava sobre uma lata de lixo. É injusto, é cruel e todos os dias estes fatos acontecem pela cidade. Na madrugada muita dessas crianças dormem em “camas” de papelão.
Não podemos fechar os olhos, é nosso dever lutar por esses meninos. A infra-estrutura que a nossa cidade, o nosso país, precisam, é educação de qualidade para todos, só assim teremos dignidade. É a melhor forma de desenvolvimento, a prioridade das prioridades. Que se pague essas bolsas assistencialistas sim, mas para dar condições de eles irem à escola , de se alimentarem, de terem uma cama. Que a militância deste século seja esta, porque isto é investir no ser humano, é fazer justiça. Vamos cuidar de nossas crianças, reverter esta história.
Escrito por Maurício às 03h14
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"Contra-mola"
Autor: João Ricardo e João Apolinário
Buscar na Web "João Ricardo e João Apolinário"
Quem tem consciência
Para ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
inventa a contra-mola que resiste
Categoria: Citação
Escrito por Maurício às 03h13
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É...
Batendo as teclas como se tocasse piano
Na madrugada que me engole
A perturbação do lavoro de amanhã
No meu rosto estragado de insônia
Em pouco tempo o sol chega barulhento
E a cama me parece tão sedutora
Mas se hoje houver esse cochilo
O cotidiano está comprometido
E basta uma manhã pra se quebrar
Minha vida é frágil e tensa
E de quem não é?
No entanto tenho de sentir
Sentir aquele realismo cafajeste da rotina
Da crueldade da visão
no ônibus cortando as ruas de miséria
parece que o perdido de um tempo distante
está passando dos 20
e não tem mais aquela virgem
até quando vai lutar com dragões?
aspirar revoluções?
Sabe o bom Deus
Será justo acabar com essa parte de mim?
Sim porque de tudo que se perdeu
A culpa foi dela
Mas os sonhos se constroem nela
Seja pela febre de amor
Ou pelas bandeiras de luta
Do real ao romântico
A vitórias se constituem ali também
Só que muito caro
Meu melhor de mim é meu pior ao mesmo tempo
Devo me jogar na mediocridade?
Ser uma formiga pensada
Desde quando essa parte de mim
Que é a que vós escreveis
Aceitaria
Tal indiferente posição
Sim porque eu sou sentimento e razão
Agora indiferente...
Isso é pior que a melancolia e as desilusões
É morrer e ainda respirar
Portanto fico com os tormentos e os sorrisos
Da parte que me faz me amar e me odiar
E mais tarde tomo muito café...
Escrito por Maurício às 03h42
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A dona da história e o dono da borracha
Tinta no papel, matéria prima do teu mundo
Onde tu és o sol
És a flor, o entanto, a princesa
Podes ser o que quiseres
Já ganhaste tua vida
Agora usa minha mão pra escrever
Uma cama, uma casa, uma cidade, um universo
Pessoas para amar você
Anjos pra te proteger
Fadas pra te acompanhar
Dragões pra te transportar
E se cansares de um amante
Apago !
Tenho a borracha
Amo-te
Dona da história :
O guia criará meu itinerário
Com emoção
Pessoas para fazer...
Demônios só pra não desequilibrar
Pra eu sentir a vida
Não apague tudo que me desagrade
Preciso sofrer também
Ora, se estou viva
Eu quero é o calor da vida
Tudo, sem limites
Desejo sofrer também
E nada de contos de fadas
E sim Fadas nos antros de perdição
Quebre logo a minha imagem...
Mas se o final for bonito
Ah, tem que ser
eu mereço!
Escrito por Maurício às 01h05
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Festa do eu comigo I Noite morta e quente Festa do eu comigo Triste nostalgia Que comemora o meu destino. Qual o valor do meu erro? O que isso importa? Errar já não tem medida, O jeito é acertar O passado que me consola A música toca minha vida O amor toma conta É tempo de chorar...
Maurício Neves Corrêa 01/10/2002
Escrito por Maurício às 00h55
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Aposentadoria do Tempo.
Eu tirei a bateria do relógio
Pro tempo descansar...
Meu marcador virou decoração
De parede, de pulso
E aquilo que nunca para
Parou tudo...
A previdência social
Quebrou
Pois o tempo foi o que mais contribuiu
E tem mais tempo de trabalho.
Maurício Neves Corrêa
11/04/2005
Escrito por Maurício às 18h48
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Dormir
Um senhor passa pontualmente vendendo coisas
As dez da manhã ele grita:
Olha o açaí
Olha o camarão rosa
Olha a bacaba
Quase toda vez ele me acorda
Assim como sem horário o filho da vizinha de cima
Fica brincado com petecas
Novamente eu acordo
Ao meio dia, minha avó me acorda para almoçar
De tarde até onze horas da noite convivo em sociedade
Madrugada
Enquanto a cidade dorme eu esperto
Quando o sol aparece
Espero um pouco e durmo
E o senhor passa de novo as dez
E no fim ainda tenho que escutar que durmo muito
Escrito por Maurício às 18h45
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Guardanapos de papel
(Leo Masliah)
Na minha cidade tem poetas, poetas
Que chegam sem tambores nem trombetas,
Trombetas e sempre aparecem quando menos
Menos aguardados, guardados, guardados
Entre livros e sapatos, em baús empoeirados
Saem de recônditos lugares, nos ares, nos ares
Onde vivem com seus pares, seus pares
Seus pares e convivem com fantasmas
Multicores, de cores, de cores
Que te pintem as olheiras
E te pedem que não chores
Suas ilusões são repartidas, partidas
Partidas entre mortos e feridas, feridas
Feridas mas resistem com palavras
Confundidas, fundidas, fundidas
Ao seu triste passo lento
Pelas ruas e avenidas
Escrito por Maurício às 18h41
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Não desejam glórias nem medalhas
Medalhas, medalhas , se contentam
Com migalhas, migalhas, migalhas
De canções e brincadeiras com seus
Versos dispersos, dispersos
Obcecados pela busca de tesouros submersos
Fazem quatrocentos mil projetos
Projetos, projetos, que jamais são
Alcançados, cansados, cansados, nada disso
Importa enquanto eles escrevem, escrevem,
Escrevem o que sabem que não sabem
E o que dizem que não devem
Andam pelas ruas os poetas, poetas, poetas
Como se fossem cometas, cometas, cometas
Num estranho céu de estrelas idiotas
E outras e outras
Cujo brilho sem barulho
Veste suas caudas tortas
Na minha cidade tem canetas, canetas
Esvaindo-se em milhares, milhares, milhares
De palavras retorcendo-se confusas, confusas
Confusas em delgados guardanapos
Feito moscas inconclusas
Andam escrevendo e vendo e vendo
Que eles vêem nos vão dizendo, dizendo
E sendo eles poetas de verdade
Enquanto espiam, e piram, e piram
Não se cansam de falar
Escrito por Maurício às 18h40
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Do que eles juram que não viram
Olham para o céu esses poetas, poetas, poetas
Como se fossem lunetas, lunetas, lunáticas
Lançadas ao espaço e o mundo inteiro
Inteiro, inteiro, fossem vendo pra
Depois voltar
Pro rio de janeiro
Escrito por Maurício às 18h38
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Show do Chico parte I
Sonhos, sonhos são
No começo de uma noite, no fim do mês de julho. Passeava pela internet, vi uma foto do Chico num site, e a manchete era perturbadora: “Chico Buarque volta aos palcos”. Um nervosismo enorme tomou conta de mim. Há anos eu espera por essa notícia, de repente um sonho se materializava. Desconectei eufórico , quase pulava de ansiedade.
Só que depois da euforia, veio a preocupação. Não seria nada fácil ir para esse show, afinal eu moro em Belém,e o show seria em São Paulo. Liguei pra mamãe, implorei a ela para ir vê o show, e ameacei-a de fazer análise caso não fosse. Heroicamente ela disse “sim”. Minha mãe é o horizonte...
Nos primeiros dias de agosto recebi um e-mail da mamãe. Ela escreveu que havia comprando os ingressos e a passagem de ida, e o papai a de volta. “Meus pais...”. Era sério mesmo! E apesar da certeza, o show ainda me parecia uma coisa distante.
Embarquei rumo a Sampa no dia 2 de setembro, mesmo cruzando o céu do país, não conseguia visualizar o show. Do alto via paisagens desconhecidas, e finalmente a gigante São Paulo apareceu.
Com os pés no chão, fui recebido com sorrisos, abraços e fotos pela mamãe e a Samira, uma amiga muito legal dela. Passamos o fim de semana passeando pela terra da garoa. Depois fomos para Campinas, cidade onde a mamãe está morando atualmente, pois está fazendo doutorado na Unicamp.
Na véspera do grande dia, fomos para casa da Mônica, outra amiga muito legal da mamãe . Foi uma noite regada a vinho, histórias e risadas. Quando finalmente, já no fim da madrugada eu deitei, caiu a ficha, “é hoje”. Nem deu tempo de ficar tenso ou refletir. A embriaguez pôs um breve fim a inquietude, dormi.
Enfim chegara o tão sonhado dia, era 7 de setembro de 2006. Eu acordei com uma ressaca infernal, e aquele frio na barriga, como se tivesse na descida de uma montanha-russa. Andava freneticamente em ciclos, deitava às vezes e tentava relaxar, porém era como deitar numa rede pendurada entre dois arranha-céus.
No fim da tarde eu ainda estava nervoso, me arrumei com a “roupa de domingo”. A mamãe assustava com seu cansaço, devido à ressaca. Por volta das seis horas da tarde saímos eu, mamãe e Mônica, rumo ao show...
Na marginal pinheiros, vi a placa gigante com foto do Chico, era o tom Brasil, era o grande palco, era o “onde”. Cruzamos o portão. Encabulado eu via aquele lugar com um olhar infantil, como se ali fosse o céu e um super-herói estivasse para passar voando, ou melhor cantando.
Entramos, logo vi o palco e abri aquele sorriso. Pedi um copo de vodka pura pra relaxar um pouco, e olhei para mamãe, meus olhos a agradeciam. Eu estava ali graças a ela, ah minha mãe...
O violão estava solitário no palco, mas parecia dar choque, de tanta que era a energia. Eu estava concentrado, ansioso, e sobretudo feliz.
As luzes se apagaram...
Escrito por Maurício às 04h11
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Show do Chico parte II
Cerzi o show na alma.
Chico!! Chico!!! Chico!!! Chico!!!!
É meus caros amigos, ele entrou e casou frenesi no público. Eu fiquei paralisado de felicidade neste momento. Era o meu ídolo que estava lá, como eu costumo dizer brincando: “meu mestre”.
E lá estava aquele ser no palco, e os primeiros acordes se ouviram depois das palmas. Mais que perfeito. Chico Buarque de Holanda voltara a cantar. Meus olhos úmidos, não perdiam um movimento, meus ouvidos encantados não perdiam um único som. Cerzi o show na alma.
A banda era maravilhosa, digna do grande Chico. O som se reinventou para mim. Aquela voz que ouvira desde a barriga da minha mãe, e certamente se escutava quando fui feito, ecoava poderosa pelo salão.
Cantei, cantei com um fervor quase religioso ou de uma militância exacerbada . A cada música a emoção explodia. A cada pausa minhas mãos se batiam com tanta força, de tal maneira que, sentia que estavam dando choque. Eu me esgoelara gritando: “Chico!! Chico!!! Chico!!! Chico!!!!”. Não chorei, porque enfim, as barreias sociais e sobriedade só permitiram os olhos úmidos, as lágrimas voltavam.
As músicas dançavam sobre mim, e “de noite raiva o sol que todo mundo aplaudia”. Foi extraordinário. Sonhara com aquele momento desde que Joana me encantou. Eu realmente estava ali, e ali eu sei que fui feliz.
No repertório estavam todas as músicas do novo cd, mais algumas músicas de outros álbuns. Uma canção puxava outra, pareciam irmãs, e realmente são. Os arranjos surreais, as letras geniais. Ah, como era bom! Chico, seu violão e a banda, é outro nível. O melhor show que eu já mirei.
Chico saiu do palco. O público de pé aplaudindo. eu me esgoelando ainda mais alto e quase quebrando as mãos com as palmas. Chico de volta ao samba, o público dançava. Depois do segundo bis, João e Maria se despediram.
Acabou?
Não, Chico realmente saiu daquele palco, mas na minha mente o show se estenderá para sempre. Toda vez que eu escuto uma música do Chico, e às vezes enquanto durmo, ainda me sinto naquele show.
Quando saímos do show, eu ainda me sentia entre dois arranha-céus. Só que não havia mais rede, eu flutuava. Já no carro, escutávamos o cd “carioca”, a mamãe e a Mônica brincavam com o meu sorriso, que estava fixo. Elas já deviam imaginar que eu ainda estava no show.
No ano 3001, quando reencarnado num corpo estranho, eu irei fazer umas regressões espíritas. Certamente em uma das voltas, reviverei aquela noite do dia 7 de setembro de 2006. E vou falar pras pessoas: “Eu já vi um show do Chico Buarque, aliás eu nunca mais saí dele”.
E
FIM
Escrito por Maurício às 04h10
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BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 15 a 19 anos
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